Entrevista: Lan

Autora de Ópera.

All About Fics: Primeiramente, muito obrigada por aceitar participar dessa entrevista.
Larissa: Eu é que agradeço!

AAF: Um dos motivos do convite para essa entrevista foi a nota dez, recebida com louvor de uma das nossas criticistas, você esperava por essa nota e por essa crítica?
Lan: Não mesmo! Foi uma surpresa entrar no All About Fics e ler os comentários sobre Ópera, ainda mais a nota máxima atribuída a fic. Uma das razões pelas quais eu pedi a crítica da estória foi o total descrédito que eu estava dando a ela. Não sei, acho que isso é mania de escritor... Digo, achar que o que ele escreveu está ótimo em um dia, e no outro simplesmente achar que é um lixo completo. Isso aconteceu comigo. Então, quando eu vi o resultado da crítica, quase caí para trás. Confesso que fiquei cheia de mim, haha!

AAF: Você já recebeu algum comentário negativo sobre Ópera? Se sim, o que ele te fez pensar, ou fazer?
Lan: Já recebi vários e, pensando bem, nunca fiz nada a respeito. E eu nem teria o que fazer. Muitas vezes eu até concordei com os comentários adversos, não por desmerecer a minha obra - na qual eu vejo tanto defeitos quanto qualidades -, mas simplesmente por concordar. Muitas vezes, quando eu escrevo, eu não me sinto mais a desenhista da trama, mas sim, desenhada por ela. Eu fico tão perdida e envolvida com o que eu escrevo que um fato se liga a outro e a personalidade das personagens, ou as cenas, acaba totalmente diferente do que eu tinha planejado. É como se a história se escrevesse sozinha. E essa é a origem dos meus conflitos com as personagens e os acontecimentos. Às vezes eu estou tão imersa no desenrolar da estória que mal percebo que sou eu quem a escreve. Quando recebo comentários negativos, normalmente, é exatamente sobre as partes que eu mesma critiquei. Entretanto, como eu disse anteriormente, não há nada a se fazer. Sempre vai haver quem gosta do que você faz e quem não gosta. Não adianta eu me martirizar por retornos "ruins" sendo que nem Jesus conseguiu agradar todo mundo – é o que minha mãe sempre diz. Chegou a um ponto que eu aprendi que não adianta escrever para as pessoas gostarem: sempre haverá alguém para criticar. Tampouco adianta escrever para que eu mesma goste, já que eu nunca chegarei em um consenso com meu "eu lírico". Por isso mesmo, eu escrevo apenas porque gosto, e desde que eu faça isso, tudo está bem.

AAF: Nós recebemos um número muito grande de perguntas para você em nosso e-mail, você deve ter leitoras realmente fiéis, mas a pergunta que mais se repetiu foi: de onde veio a ideia para "Ópera"?
Lan: Eu até me envaideço: minhas leitoras são realmente fantásticas! E sobre a pergunta... A origem de Ópera se deu em uma situação um pouco estranha. Digo, lá estava eu assistindo televisão com a minha mãe quando, de repente, ela muda o canal para a Rede Globo. Seria algo completamente normal e sem importância, se não estivesse passando o primeiro episódio de Malhação - uma das temporadas recentes. Lembro-me de ter visto o Duam Socci - sabe, aquele príncipe da Xuxa -, que estava atuando na novela, olhar com maldade para a namorada. E quanta maldade! Desde então, em questão de minutos, Ópera já estava sendo arquitetada em minha mente, absorvendo não apenas o Duam, como elementos de músicas, de outras estórias e da minha vivência.

AAF: Por que você escolheu o suspense ao escrever essa fic? (Annie)
Lan: Porque eu descobri que romances em estórias são muito mais interessantes que estórias em romances.

AAF: Você pretendia passar alguma mensagem ou significado com "Ópera"? Se sim, qual?
Lan: Na verdade, não. Eu pensei nos mistérios, pensei nas personagens, mas não pensei em nenhum significado escondido. Por essa razão, eu me peguei tão surpresa ao reler a fic e perceber que algumas partes realmente transmitiam mensagens. Quando eu li os comentários e vi que as meninas estavam absorvendo o sentimento que eu nem sabia que existia, resolvi prestar mais atenção. As falas que eu julgava bobas e fruto de um diálogo infantil começaram a criar corpo. Percebi que aquilo que estava escrito espelhava o que eu pensava. Era o que eu sentia. As várias vezes que a protagonista mostrava ao principal que se era possível ser feliz depois de uma grande perda, eu me via conversando com a minha mãe – depois da perda da minha avó. Eu me via conversando com meu tio, que recentemente perdeu a esposa em um acidente. As amigas, creio eu, também exerceram um papel importante nessa mensagem. Apesar de Ivane ter sido assassinada há um ano – no início da narrativa – as duas amigas se mantiveram fiéis a ela, dispostas a fazer tudo que estivessem a seu alcance para chegar a seu real assassino. Essa lealdade me tocou após a releitura. Não sei. Ópera passa muitos significados bons, apesar de não ter sido minha intenção inicial.

AAF: Como você se inspirou para criar os personagens, em especial, o principal? (Marii Luck)
Lan: Primeiramente: muito obrigada pela pergunta. Eu gostaria de poder dizer que os rapazes da história foram totalmente inspirados em McFLY, mas isso seria mentira. Veja só, é muito complicado escrever uma fanfic interativa. Você deve ter sempre em mente que as leitoras leem com pessoas diferentes, portanto imaginam pessoas diferentes. É impossível – para mim, pelo menos – caracterizar profundamente a personalidade, as atitudes e a aparência de determinada personagem, porque às vezes essas características físicas e emocionais não coincidem com a escolha de quem lê. Eu acredito que minhas personagens são muito superficiais, visando agradar gregos e troianos, por isso elas são apenas "levemente" inspiradas em alguém – como por exemplo, os rapazes do McFLY e duas grandes amigas minhas. O protagonista é um pouco diferente. A origem dele é a mesma do protagonista de We'll be a Dream (minha outra fanfic). Os dois são lados do homem ideal. Quando eu era menor, eu escrevia uma estória que continha o meu garoto perfeito, mas infelizmente não consegui terminar. Ele era tantos em um só que era complicado eu colocar tudo no papel tendo tão pouca idade. Quando eu fiquei um pouco mais velha, resolvi separá-lo em personalidades: o amigo fofo e extremamente prestativo (de We'll be a Dream) e o sensualmente misterioso (de Ópera). E olha que não pára por aí! Haha.

AAF: Você já sabia quem seria o assassino de Ivane desde o início ou foi mudando de ideia com o tempo? O que a levou a escolha dele? (Marii Luck)
Lan: O assassino foi o ponto inicial. Primeiro eu criei o assassino, depois eu desenvolvi todo o resto. Todas as circunstâncias e situações foram desenvolvidas a partir dele, então, sim, eu já sabia quem seria desde o início. Confesso que depois de ler alguns comentários e teorias sobre quem teria matado Ivane Whinsky, eu cheguei a considerar outras possibilidades, mas não fariam tanto sentido. O que levou a escolha dele foi a expressão de malícia no rosto do Duam Socci quando minha mãe mudou de canal. Acredite se quiser! Hahaha.

AAF: Agora que "Ópera" está finalizada, pretende escrever outras fics ou um livro? (Tati Castro)
Lan: Obrigada pela pergunta, Tati. Sobre ela: claro. Escrever é minha paixão, meu refúgio e combustível. Parar de me perder em minhas próprias tramas nunca passou por minha mente!

AAF: Antes de "Ópera", você já escreveu outra coisa que nunca teve coragem de publicar?
Lan: Já escrevi várias coisas que não publiquei. Não por medo, mas por não conseguir terminar e não ter ideia de como continuar.

AAF: Ao decorrer do desenvolvimento da sua fic, você pensou em desistir em algum momento? Se sim, o que te fez voltar atrás?
Lan: Não. Algo que mudou meu modo de ver a escrita foi um vídeo da Meg Cabot, onde ela dizia que a diferença entre escritores e amadores era que escritores iam "até o fim". Eu nunca tinha finalizado uma estória antes de We'll be a Dream, e me senti mais do que desafiada a terminar todas as outras. Eu estabeleci essa meta para mim: não importa como for ou o quão difícil for, eu vou terminar. Claro que passei por algumas fases maçantes - partes que eu ficava semanas sem conseguir desenvolver –, mas eu decidi atropelá-las e seguir em frente. Mesmo que algumas tenham ficado menos descritivas ou corridas, eu consegui ir adiante.

AAF: Você se inspira em algum autor ou autora para escrever? Quem? (Tati Castro)
Lan: Eu absorvo muito a escrita de autores, em especial, imediatamente após a leitura de suas obras. Por exemplo, minhas partes mais voltadas para o humor foram escritas assim que eu terminei "A Mediadora", da Meg Cabot. Outras, as mais formais e repletas de palavras bonitas, foram fruto da minha "fase Jane Austen". As intermináveis descrições de movimentos e sentimentos vieram de J.K Rowling. E por aí vai...

AAF: Além de escrever, o que você mais gosta de fazer no seu tempo livre? (Melissa)
Lan: Sou apaixonada por música, leitura, televisão, tumblr e fazer comentários desnecessários no twitter de cinco em cinco segundos. Entretanto, o que mais me encanta, no mundo, são meus familiares. A família é grande e simples, e nós sempre nos encontramos. É uma bagunça quando estamos juntos, acontece desde abraços emocionados a brigas para decidir quem roubou no jogo de cartas. A farra me envolve de tal modo que até um copo que cai no chão me parece engraçado. O que eu mais gosto de fazer no meu tempo livre, com certeza, é estar com a família.

AAF: Você usa músicas e bandas para se inspirar na hora de escrever, quais?
Lan: Uso, várias! Algumas músicas inspiradoras dependem muito do que eu pretendo escrever. Se são cenas de sensualidade e suspense, provavelmente eu ouviria algumas canções do Muse. Cenas romanticas exigem McFLY, The Maine, Lifehouse. Essas são bandas que eu escuto quando já sei o que escrever, mas não sei como desenvolver. No meu momento de criação, quando estou desenhando a trama na cabeça, gosto de músicas que me conectam ao meu passado. Parece vergonhoso falar, mas gosto de ouvir Cascada, DHT, Nickelback e Jesse McCartney. São as bandas/pessoas que mais influenciam no meu processo de criação, quando se trata de músicas.

AAF: Nesse mundo das fanfics, o que você aprendeu? Conseguiu tirar alguma lição disso tudo?
Lan: Aprendi que, independentemente do quão impecável eu acreditar estar sendo, nem todo mundo vai gostar do que eu escrevo. Vão sempre aparecer pessoas e situações que vão tentar me desestimular a fazer o que eu quero. Inimigos do meu sonho, e, com o tempo, descobri que minha maior inimiga e desestimuladora sou eu mesma. Eu não devo escrever o que eu gosto, mas sim escrever porque eu gosto. Aprendi também muitos clichês de escrita, que, ao meu ver, desvalorizam muito uma estória. Muitos desses clichês me escravizavam, mas depois que os vi em outras fanfics, aprendi a me policiar para não usá-los. O universo das fanfics me ensionou muita coisa, é difícil tentar pensar e listar todas...

AAF: Como você se interessou pelas fanfics?
Lan: Através da minha melhor amiga. Eu era meio "birrada" com fanfics porque, além de ela ler com uma banda que eu não gostava nem por reza, minha amiga só sabia falar sobre isso. Mas de tanto ela insistir, eu acabei lendo uma shortfic interativa, "Closer". Fiquei tão apaixonada que comecei a procurar outras para ler: "Hey Juliet", "Addicted"...

AAF: Você tem alguma fanfic preferida? Qual?
Lan: Tenho várias: Bite Me, A garota da porta vermelha, Summertime, Closer, Addicted...

AAF: Nós sempre perguntamos isso, mas, o que você diria para alguém que está começando a escrever agora e quer que sua fanfic seja bem recebida?
Lan: Nossa, essa é difícil. Eu também estou "começando" a escrever agora. Considero-me uma novata no mundo das fics, há tantas coisas que eu não sei! Então, os conselhos que tenho a dar são os mesmos que tento seguir: estabeleça uma meta. Desistir está fora de questão. Sua meta deve ser terminar o que você começou. Saber onde chegar é um ótimo começo. Segunda dica: não abuse de falas. Há muitas falas que você pode facilmente transformar em descrições. Lembre-se de que descrições são, maioria das vezes, mais valorizadas, apesar de que, se abusar delas, a estória ficará cansativa. Não há uma fórmula. É como se fosse um tiro no escuro: você arrisca, mas nunca sabe se vai acertar. Talvez 1/3 falas e 2/3 descrições? Sei lá. E a dica três e a mais importante de todas: goste do que você faz. Divirta-se. Se você aproveitar o momento em que você está escrevendo e se envolver com a história, todas as outras outras dicas não terão nenhuma importância. O que convida os leitores é a paixão do autor. Apaixone-se!

AAF: Quem você gostaria que também fosse entrevistado por nós e por quê?
Lan: Ah, eu tenho que passar a bola? Complicado! Hm... A Cah Sodré, de Summertime, com certeza daria uma entrevista interessante. Ela é uma das escritoras de fic que eu mais admiro e tenho um enorme carinho por. Não por conhecê-la – não conheço – mas porque a fanfic dela foi um grande estímulo. Por muito tempo, "meu gás" foi querer fazer algo igual. Outra sugestão é a Márys, de Wacko. Hoje, é muito difícil ver uma fanfic colegial fazendo sucesso. Não pela qualidade, mas porque as antigas leitoras do FFOBS cresceram e a demanda já é outra. Wacko é uma fanfic que consegue fugir disso. É colegial, relativamente "nova no pedaço" e já dá o que falar!

AAF: Pra finalizar, quer deixar um recado para alguém? Suas leitoras, sua beta-reader...?
Lan: Sou péssima com recados "generalizados", mesmo! Talvez porque eu prefira algo mais personalizado, digo, conversar pessoalmente com a leitora ou com a beta e dar recados unicamente direcionados a elas. Mas independentemente de quem seja - leitoras que gostaram da estória, que não gostaram, betas, amigas -, eu agradeço do fundo do coração. Todas deveriam saber que foram responsáveis por um tijolo diferente da minha construção como pessoa. Obrigada.

Publicada em:
Entrevista por: Equipe All About Fics
Contribuíram com a entrevista: Marry, Annie, Tati Castro, Melissa e Marii Luck

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